E no confessionário virtual... A 1ª semana do filho a gente nunca esquece.

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E no confessionário virtual... A 1ª semana do filho a gente nunca esquece.

O que você mais ouve quando engravida do 2º filho é: "cada filho é diferente do outro, nada é igual."
Ao longo da vida você também escutou: "nossa, como pode irmãos filhos dos mesmos pais serem tão diferentes?"

Acho que esquecem de falar: os filhos não são filhos dos mesmos pais. O 2º filho já é filho de outros pais...

Eu já era outra mãe, quando Maria nasceu. Pior ou melhor eu não sei.
Sei que não tive aquele medo de sair da maternidade e vir pra casa com aquele pacotinho tão indefeso. Não cheguei em casa e fiquei meio sem
saber o que fazer com aquele novo habitante, mesmo tendo esquecido de trocar a fralda dela por muitas horas no 1º dia de vida. (isso foi detalhe)
Pensava muito em como nossa 1ª filha iria reagir, e mesmo com tantos relatos realistas de ciúmes, eu não me apavorava com isso.
De fato, as duas se deram muito bem, o que nos poupou algumas rugas nesse começo de re(ra)lação. O marido aqui tem grande mérito.

2º filho a vida está em outro ritmo, e é como se ele pegasse o bonde andando mesmo. Ele entra numa rotina pre estabelecida e vai.
Tudo parece mais leve e natural. Menos pesado. Menos expectativa. Menos algodão. Menos esterilização. 
Mais tempo pro amor.

O marido já não pode ficar 1 mês com o rebento, agora as contas aumentam e enquanto ele não tem peito, é a mulher que fica por conta do bebê nesse período. Seria muito justo compartilhar a amamentação, e sei que ele faria isso sem pestanejar! Mas ainda não sei bem como mudar isso... Talvez tenhamos que estudar mais os cavalos marinhos, e um dia conseguiremos compartilhar a gravidez pelo menos.
Justo também.

Peitos. 
Amamentar tinha sido um processo natural pra mim na 1ª filha. O leite desceu, doeupracaceta, e pronto, foi dada a largada do salve-se quem puder. 
Mas dessa vez me pegou de jeito. O leite desceu, doeupracacetadenovo, e pronto, começaram as dificuldades. O peito nesse momento era uma espécie de bolsa, lotada de leite endurecido, precisando sair. 
Ué, qual a dificuldade? Só dar o peito pro bebê que esvazia! Hmmmm, not so simple...
Quando eu digo bolsa lotada, é lotada até o bico. Tão endurecido, que na horizontal o peito aponta pra frente.
E isso significa que o bebezinho que acabou de nascer, não consegue abocanhar aquela comida deliciosa. Resta uma coisa a fazer: ordenhar.
Opa! Ordenhar é tranquilo: bomba no peito, aperta o botão e foi!
Hmmmm não... A especialista em amamentação que eu chamei pra me ajudar me explicou: a bomba vai estimular a produção do leite, e nesse momento tudo o que você não precisa é disso. Você precisa fazer uma ordenha de alívio. Tirar um pouco do leite apenas pra que o bebê consiga pegar o bico do seu peito.
E o bico do meu peito, nesse momento, estava começando a ficar bastante machucado... De tanto que ela tentava abocanhar com força aquele negócio duro. Muito duro.

O que se faz pra desendurecer alguma coisa? Calor né? Gelo no sol derrete, vai ver que com o peito é a mesma coisa.
Hmmmm, mais ou menos. Antigamente se recomendava muita compressa de água quente, hoje se sabe que o calor vai também aumentar a produção do leite, e se a produção do meu leite aumentasse, eu ia vender pra Parmalat. 
Mas, aquele peito tinha que amolecer um pouco, pra que depois de muita massagem, eu conseguisse ordenhar alguns ml, na não.

Vamos pro banho quente. Da-lhe massagem. A massagem não tem fins terapêuticos nem relaxantes... (Pq se chama massagem então né? Deveria se chamar apertagem...)
Essa é outra dificuldade: a força precisa ser minimamente grande nesse momento, mas, mesmo tendo acabado de parir desanestesiada, eu não conseguia imprimir essa dor em mim mesma. E dói viu? Não vou te enganar não...

Entre um banho e uma ordenha, Maria queria mamar, ora bolas. O que fazer? Dar o peito que estivesse menos pior. Nesse momentos ambos estavam machucados. 
Mas, tinha que dar. Era a melhor alternativa se eu queria amamentar... A mamadeira era bastante perigosa nesse momento, porque ia juntar a refeição que ela queria com a facilidade do bico da mamadeira. E ela ainda estava aprendendo a mamar no peito.

Eu já tinha entendido isso: tinha que dar. Então, naquele momento a única coisa que poderia me ajudar, era uma toalha. 
Enfiava na boca, mordia, e dava o peito. 
É uma dor muito forte. 
Diferente do parto, que só depende de você, a dor de dar o peito agora envolvia minha filha, envolvia a fome dela, envolvia a saúde dela. Eu queria dar.

E fui até onde deu. Fiz tudo: mudei de posição, coloquei repolho congelado (sim, parece que é super
recomendado pra isso), fiz a massagem mil vezes, mordi toalha mil vezes. 
Até que precisei pular as mamadas de um dos peitos... Tava no limite. Aquele peito tinha que descansar. (Até o peito descansava... Eu tava mal na fita mesmo)

Enquanto ele descansava, o leite não parava de produzir certo? Certo. O que acontecia então? O peito inchava tudo de novo... Aaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!! Putaquiupariu. Se faz uma coisa pra melhorar aqui, piora ali. Ser mulher não é pra qualquer uma não viu.

Numa das noites, o desespero bateu forte e enquanto Gui ninava Maria, eu num impulso de raiva fiz uma mamadeira com Enfamil. Era quase pecado fazer isso com tanto leite no peito. Pois é, o problema era que a embalagem do meu leite tava com problema no bico... E o Enfamil não.
Dei um pouco. Foi suficiente pro dia seguinte inteiro (in-tei-ro) ela chorar e se contorcer com cólica e intestino preso. Resultado: não, não ia dar de novo, não tão cedo.

Além disso, o ideal era tentar manter os bicos em contato com o ar, pra ajudar na recuperação. 
Ok. Tirando o fato de eu parecer a Madonna no pós parto (com um sutien de ginástica furado no centro pros bicos respirarem), a merda disso era que eu precisava pegar Maria no colo com todo cuidado do mundo! Porque qualquer encostadinha ali, era uma dor alucinante.

Bem, nesse momento veio a febre. Alta, muito alta. Era o peito que tava descansando... Ele tava tão cheio que iniciou um processo inflamatório. 
Horas e horas tentando ordenhar... Nada... Meu Obstetra, sem dó e só querendo me ajudar, fez a tal massagem em mim. Fui na lua e voltei. Jesus senhor, que dor de novo. Impossível fazer aquilo em mim mesma.

Apelei pra bomba, que além de dar uma estimulada, talvez pudesse piorar um pouco a questão da cicatrização do bico do peito. Mas, na mão tava dando ruim pra mim, não tava rolando a apertagem eu comigo mesma.

Maria contribuía fazendo sua parte: sendo um bebê calmo, tranquilo, e dorminhoco. Obrigada meu pai.

Amamentar é um desafio. Tem que querer. E muito. Não basta ter leite, não basta ter bico, não basta ter um bebê com boa pega, não basta ter disposição. Tem que ter tudo isso junto!

Ah, e fica a dica: "mamãe, fica calma. É assim mesmo, vai passar. E se você se estressar, sua bebê vai sentir e vai ser pior."

Ufa... Pode deixar, ainda posso encontrar um tempo no meio disso tudo pra meditar. Por que não?

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